Há um ano, Santa Maria viveu um dos momentos mais marcantes da sua história religiosa: a coroação de Nossa Senhora Medianeira como Rainha do Povo Gaúcho. A cerimônia, autorizada e incentivada pelo Papa Francisco, não foi apenas um ato litúrgico, mas o reconhecimento de uma devoção que atravessa gerações e molda a identidade espiritual do Rio Grande do Sul.
Falar da Mãe Medianeira é, para mim, também revisitar a infância. Cresci cercado por essa devoção, ainda como coroinha, quando sonhava em ser padre e dedicava meus dias à Igreja, com o coração tomado por um desejo profundo de servir a Deus. A cada romaria, eu via a multidão se reunir com fé e esperança, e entendia, ainda menino, a força que essa devoção tem para unir e fortalecer nosso povo. Aquela experiência marcou para sempre minha vida e minha espiritualidade, fazendo da Medianeira um farol constante na minha caminhada.
A coroação de 2024 veio em um momento especialmente simbólico. Nosso estado havia acabado de enfrentar o maior desastre climático de sua história, com enchentes que deixaram cicatrizes profundas em milhares de famílias. Foi justamente na dor e na incerteza que a fé em Nossa Senhora se renovou, mostrando que a devoção não é apenas tradição, mas um verdadeiro refúgio espiritual. Assim como em outras épocas difíceis, a Mãe Medianeira mais uma vez foi o colo e a intercessora do povo gaúcho.
Santa Maria, reconhecida como Capital da Fé do Rio Grande do Sul, abriga há mais de 80 anos a Romaria Estadual da Medianeira, que reúne cerca de 300 mil fiéis todos os anos. É considerada a maior manifestação religiosa do estado e uma das maiores do Brasil. Esse encontro, além do aspecto espiritual, também tem um impacto profundo no desenvolvimento regional: fomenta o turismo religioso, movimenta a economia, fortalece o comércio e projeta a cidade e o Rio Grande do Sul como destino de peregrinação e devoção.
A decisão do Papa Francisco de coroar Nossa Senhora Medianeira como Rainha do Povo Gaúcho dá ainda mais legitimidade a essa devoção que se espalhou por todo o estado. Francisco, que sempre defendeu uma Igreja próxima do povo e que valoriza a fé simples, enxergou na Medianeira a expressão de um amor que vai além das fronteiras.
Ao celebrarmos o primeiro aniversário da coroação, recordo minhas lembranças de infância e reafirmo minha fé inabalável na Mãe Medianeira. Ela é a nossa protetora, a nossa intercessora junto a Cristo, a Rainha que nos ensina que, mesmo diante da maior das tempestades, nunca devemos perder a esperança.
Nossa Senhora Medianeira é mais do que um título: é presença viva na caminhada do povo gaúcho. É a certeza de que, ao buscarmos sua intercessão, encontraremos sempre amparo, coragem e luz para reconstruir, acreditar e seguir adiante.



